Na Luz da Verdade

Mensagem do Graal de Abdrushin


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48. Fenômenos universais

Não há perigo maior para uma coisa do que deixar uma lacuna, cuja necessidade de preenchimento é intuída muitas vezes. Nada adianta, então, querer passar por cima disso, porque tal lacuna impede cada progresso, e um dia deixará ruir uma construção que sobre isso for erigida, mesmo que seja executada com a maior habilidade e com material realmente bom.

Assim se apresentam hoje as diversas comunidades religiosas cristãs. Com tenaz energia fecham os olhos e ouvidos ante muitos trechos de suas doutrinas que deixam perceber uma falta de lógica. Com palavras ocas procuram passar por cima disso, em lugar de realmente se ocuparem com isso de modo sério. Intuem, sim, o perigo de que as pontes, provisoriamente estendidas sobre tais abismos, mediante uma doutrina de fé cega, poderão um dia não mais ser suficientes, temendo o momento em que essa construção frágil se tornará reconhecível pela elucidação. Sabem igualmente que então ninguém mais será induzido a tomar caminho tão falso, com o que, evidentemente, a sólida construção progressiva, que então novamente continua, e o caminho deverão igualmente ficar vazios. E sabem, do mesmo modo, que uma única rajada de verdade refrescante afastará tais configurações artificiais. Contudo, na falta de algo melhor, procuram, não obstante todos os perigos, segurar-se no pranchão oscilante. Estão até mesmo decididos, antes de mais nada, a defendê-lo por todos os meios e a eliminar quem quer que ouse oferecer uma passagem mais sólida pela própria Verdade. Tentariam repetir sem hesitar o mesmo processo que se desenrolou há quase dois mil anos nesta Terra, que ainda lança sua sombra até os dias de hoje, e o qual, no entanto, eles mesmos transformaram no foco principal de suas doutrinas e de suas crenças, como grande acusação contra a cegueira e a teimosia prejudicial das criaturas humanas. Foram os representantes de religiões e os eruditos daqueles tempos, que, por sua estreiteza dogmática e por sua presunção que demonstra fraqueza, não puderam reconhecer a Verdade nem o Filho de Deus, mantendo-se também fechados diante disso e ainda odiando-o e perseguindo-o, bem como a seus adeptos, levados pelo medo e pela inveja, ao passo que outras pessoas se abriam com mais facilidade ao reconhecimento e intuíam mais depressa a Verdade da Palavra. Apesar dos atuais representantes das comunidades religiosas cristãs fazerem alarde sobre a vida de sofrimentos do Filho de Deus, não chegaram a aprender nada nesse fato, nem proveito algum tiraram disso. Justamente os atuais dirigentes dessas comunidades, fundamentadas nos ensinamentos de Cristo, bem como os dos movimentos mais recentes, também hoje tentariam novamente eliminar cada um que através da própria Verdade pusesse em perigo as passagens inseguras estendidas sobre lacunas ou abismos periclitantes de seus ensinamentos e interpretações. Persegui-los-iam com seu ódio nascido do medo e bem mais ainda oriundo da vaidade, tal qual uma vez já ocorreu.

Faltar-lhes-ia a grandeza de suportar que seu saber não seria suficiente para reconhecer a própria Verdade e preencher as lacunas, a fim de, com isso, aplainar o caminho aos seres humanos, para mais fácil compreensão e perfeito entendimento.

E, não obstante, para a humanidade só é possível uma ascensão através do pleno reconhecimento, jamais pela crença cega e ignorante!

Uma tal lacuna transmitida por falsas tradições vem a ser o conceito relativo ao “Filho do Homem”. Agarram-se doentiamente a isso, semelhante aos fariseus que não quiseram se abrir à Verdade através do Filho de Deus, colocada à frente de suas tradicionais e rígidas doutrinas. Cristo se referiu a si apenas como o Filho de Deus. Longe estava de possuir a falta de lógica de cognominar-se ao mesmo tempo como Filho do Homem. Se, devido às próprias dúvidas, se tiver tentado esclarecer com a maior destreza e habilidade em todas as direções essa contradição patente entre o Filho de Deus e o Filho do Homem, intuída por toda pessoa que reflita sensatamente, então não pode ser afirmado, apesar de todos os esforços, que tenha sido encontrada uma unificação.

A mais conveniente de todas as interpretações tinha que mostrar sempre e sempre novamente uma natureza dupla que permanecia lado a lado, mas que nunca podia parecer como um só.

Isso também se encontra inteiramente na natureza da questão. O Filho de Deus não pode se tornar o Filho do Homem apenas porque teve de nascer dum corpo humano para poder caminhar pela Terra. De cada cristão é sabido que o Filho de Deus veio explicitamente em missão espiritual e que todas as suas palavras se referiam ao reino espiritual, isto é, diziam respeito ao espiritual. Por conseguinte, também não se deve, de antemão, entender de modo diferente a sua repetida indicação ao Filho do Homem! Por que deve haver aqui uma exceção? Espiritualmente, porém, Cristo foi e sempre permaneceu somente o Filho de Deus! Quando falava do Filho do Homem, por conseguinte, não podia se referir a si mesmo. Há em tudo isso algo muito mais grandioso do que transmitem as atuais interpretações das religiões cristãs. A contradição declarada já devia, desde muito, ter estimulado meditações mais sérias, se as restrições dogmáticas não obscurecessem tudo. Ao invés disso, agarraram-se com toda a força às palavras transmitidas, sem a mais séria análise, absolutamente indispensável em assuntos tão incisivos e colocaram desse modo antolhos, impedindo a visão livre.

A conseqüência natural é que tais intérpretes e mestres, conquanto se encontrem na Criação de seu Deus, nem são capazes de reconhecê-la direito, através do que, unicamente, existe a possibilidade de chegarem também mais perto do próprio Criador, o ponto de partida da obra. Cristo ensinou, em primeiro lugar, a completa naturalidade, isto é, adaptar-se às leis da natureza, por conseguinte, da Criação. Contudo, adaptar-se só pode aquele que conhece as leis da natureza. As leis da natureza, por sua vez, contêm a vontade do Criador e podem, assim, abrir o caminho para o reconhecimento do próprio Criador.

Quem conhece as leis da natureza chega também a saber de que modo inamovível elas se engrenam atuando; sabe por isso que esse atuar é imutável em sua lógica constante e progressiva, assim como também a vontade do Criador, Deus-Pai.

Qualquer desvio significaria uma alteração da vontade divina. Uma alteração, porém, denotaria imperfeição. Mas uma vez que a fonte primordial de todo o existir, Deus-Pai, só é uniforme e perfeita, assim há de ser do mesmo modo simplesmente impossível e de antemão excluído o mínimo desvio dentro das leis da natureza, isto é, das leis do desenvolvimento. Esse fato condiciona que a ciência da religião e a ciência da natureza têm de ser uma coisa só sob todos os aspectos, numa lógica sem lacunas, se é que devam transmitir a Verdade.

Não se nega que a ciência da natureza ainda hoje tem um limite de conhecimento muito baixo em relação à Criação toda, pois se restringiu apenas à matéria grosseira, devido ao fato de o raciocínio, na acepção atual, só ser capaz de ocupar-se com aquilo que está ligado ao espaço e ao tempo. O único erro aí, e aliás imperdoável, é que os adeptos dessa ciência tentam negar ironicamente, como sendo inexistente, tudo que se eleva acima disso, com exceção de poucos eruditos que se soergueram acima da mediocridade e adquiriram visão mais ampla, desprezando encobrir a ignorância com presunção.

A ciência da religião, porém, vai muito mais além, não obstante depender, igualmente, das leis daquilo que está ligado ao espaço e ao tempo, as quais, provenientes da fonte primordial, entram para o terrenal-visível sem interrupção e sem alteração de sua espécie. Por esse motivo, as doutrinas religiosas não devem possuir falhas nem contradições, se quiserem corresponder realmente à Verdade, isto é, às leis da natureza ou da vontade divina, se, portanto, devam encerrar a Verdade. Doutrinas de responsabilidade e que servem como guias não podem permitir a liberdade de fé cega!

Pesa, por conseguinte, em demasia sobre os adeptos das verdadeiras doutrinas de Cristo, o conceito errado do Filho do Homem, porque calmamente aceitam e propagam tradições errôneas, não obstante de vez em quando surgirem em muitas pessoas intuições contrárias, admoestando levemente. É exatamente a imutabilidade da vontade divina, em sua perfeição, que exclui uma intervenção arbitrária de Deus na Criação. Mas é também ela que após a separação de Lúcifer, por causa de seu procedimento falso,*(Dissertação Nº 45: O mistério Lúcifer) não pode excluí-lo simplesmente, e do mesmo modo tem de permitir um abuso das leis naturais, da vontade divina, por parte dos seres humanos, visto que ao espírito humano fica reservada a livre decisão devido à sua origem, proveniente do eterno espírito-enteal.*(Dissertação Nº 5: Responsabilidade) Nos fenômenos da Criação de matéria fina e grosseira deve justamente patentear-se a inamovível perfeição da vontade do Criador, como uma espécie de atamento! No entanto, somente medíocres e ínfimos espíritos humanos podem ver nesse reconhecimento uma restrição do poder e da grandeza. Tal concepção seria unicamente o produto de sua própria estreiteza.

A imensurabilidade do todo os perturba, porque de fato apenas lhes é possível imaginar um quadro disso – apresentando este uma limitação bem restrita – correspondente ao seu raciocínio.

Quem, todavia, se esforçar realmente por reconhecer o Criador em Sua atuação, encontrará no rumo certo das leis naturais uma noção convincente dos acontecimentos que têm um alcance amplo e cujas origens advêm da fonte primordial, isto é, do ponto de partida de todos os fenômenos, para de lá perpassar a Criação, como que inamovíveis linhas de estrada de ferro, nas quais toda a vida ulterior deverá então se desenrolar, segundo a direção dada pela chave de desvio. A manobra da chave, porém, é feita automaticamente*(Dissertação Nº 30: O ser humano e seu livre-arbítrio) pelo espírito humano em sua peregrinação através da matéria. E, infelizmente, por causa do princípio de Lúcifer, a maioria provoca a manobra errada da chave, e assim então se desenrola a sua vida segundo as imutáveis leis de evolução, as quais, semelhante às vias férreas, perpassam a matéria, descendo cada vez mais, segundo a manobra realizada na direção de bem determinada meta final.

A manobra da chave pela livre resolução pode ser exatamente observada ou intuída desde o início, com o que o percurso ulterior fica claramente reconhecível, visto que, após uma resolução tomada, terá de percorrer, na evolução progressiva, somente pelas correspondentes vias férreas das leis ancoradas na Criação. Essa circunstância possibilita a previsão de vários acontecimentos, porque as leis da natureza ou da Criação jamais se desviam em seu impulso de desenvolvimento. Milênios aí não representam qualquer papel. Desses previstos pontos finais absolutos originam-se então as grandes revelações, mostradas espiritualmente aos agraciados em imagens, chegando por retransmissão ao conhecimento da humanidade. Só uma coisa, porém, não pode ser predita com certeza: o tempo terrestre em que tais revelações e promessas se cumprirão!

Isso se dará na hora em que um tal curso de vivência, rodando pela via férrea escolhida, chegar a uma estação intermediária predeterminada ou na meta final. O destino do ser humano, assim como o do povo e, finalmente, de toda a humanidade, é comparável a um trem que se acha parado, esperando, numa linha férrea de uma só via, diante de um entroncamento de ferrovias para todas as direções. O ser humano manobra uma das chaves de desvio, segundo a própria vontade, sobe e solta o vapor, isto é, vivifica-o. Ao entrar no desvio da ferrovia por ele escolhido, só é possível citar-se as estações intermediárias e a estação final, não, porém, a hora exata das respectivas chegadas, pois isso depende da velocidade da marcha, que pode variar segundo a espécie da pessoa, pois o ser humano dá vida à máquina que será impelida de acordo com sua disposição, isto é, em marcha uniforme e serena, ou com impetuosidade desenfreada, ou com ambas, alternadamente. Quanto mais um tal trem, seja de uma só pessoa, de povos ou da humanidade, se aproxima de uma estação de sua ferrovia, ou da direção de seu destino, com tanto maior segurança poderá ser então vista e apontada a próxima chegada. A rede ferroviária, no entanto, possui também algumas linhas de interligação, as quais podem ser utilizadas durante a viagem, mediante correspondentes manobras na posição da chave de mudança de via, a fim de obter uma outra direção e desse modo chegar, também, a um outro ponto final do que aquele inicialmente visado. Isso exige, evidentemente, a diminuição da marcha ao se aproximar dum desses desvios, uma parada e uma mudança da chave de desvio. O diminuir da marcha é o raciocinar; o parar, a resolução do ser humano, a qual sempre lhe será possível até um derradeiro ponto de decisão, e a mudança de direção, a ação que se segue a essa resolução.

A vontade divina que perpassa a matéria através das leis fixas da natureza, como que vias férreas, pode ser chamada também de nervos da obra da Criação, que fazem sentir ou anunciam ao ponto de partida, à fonte primordial criadora, qualquer desigualdade no poderoso corpo da obra.

Essa visão segura, abrangendo todos os pontos finais com base nas leis inamovíveis, faz com que o Criador acrescente às Suas revelações também promessas, que os auxiliadores vindos Dele anunciam a tempo, a respeito da aproximação de curvas perigosíssimas e de estações intermediárias ou pontos finais! Esses auxiliadores estão aparelhados por Ele a fim de, pouco antes que se dêem as catástrofes inevitáveis ou que cheguem às curvas perigosas, abrirem os olhos dos espíritos humanos que enveredaram por esses trilhos errados, anunciando-lhes a Verdade, para que lhes seja possível ainda a tempo manobrar outra chave de desvio, com a finalidade de evitarem os lugares que se tornam cada vez mais perigosos e, seguindo outra direção, escaparem também do nefasto ponto final. Ai do ser humano, no Aquém e no Além, que não percebe ou negligencia a última de todas as chaves de desvio e com isso a possibilidade de uma direção melhor! Ele está irremediavelmente perdido.

Como o Criador nada pode alterar na perfeição de Sua vontade, assim também observará rigorosamente as leis existentes nesses auxílios. Com outras palavras: Sua vontade é perfeita desde os primórdios. Cada novo ato de Sua vontade evidentemente também será perfeito. Isso condiciona que cada novo ato de vontade proveniente Dele também tem de trazer em si, exatamente, as mesmas leis como as já precedentes. A conseqüência disso é novamente a inserção exata no fenômeno de desenvolvimento do mundo de matéria fina e grosseira. Uma outra possibilidade fica excluída de uma vez para sempre, exatamente por causa dessa perfeição de Deus. Decorreu dessas previsões já esclarecidas a promessa da encarnação do Filho de Deus, a fim de que com a anunciação da Verdade induzisse a humanidade à mudança da chave de desvio. O ato dessa mudança fica reservado ao próprio espírito humano, de acordo com as leis. Assim, está fora de uma previsão saber a espécie da resolução, pois só podem ser previstas com exatidão, em todas as suas estações e curvas até o ponto final, aquelas linhas já escolhidas pelos espíritos humanos, para as quais eles haviam manobrado a chave de desvio, segundo sua livre resolução. Disso estão excluídos, por evidência lógica, os pontos de desvios onde é decisiva uma livre resolução da humanidade, pois também esse direito é identicamente inamovível como tudo o mais, devido à natural regularidade das leis de origem e de desenvolvimento provenientes da perfeição de Deus, e como o Criador outorgou esse direito aos espíritos humanos, por sua origem do espírito-enteal, Ele também não exige saber de antemão como será sua decisão. Pode conhecer com exatidão, até o seu final, apenas as conseqüências de uma tal decisão, porque essas se processarão então dentro dessa vontade que se encontra nas leis da Criação de matéria fina e grosseira. Se fosse diferente, então a causa disso, por esse motivo, só poderia significar uma falta de perfeição, o que fica absolutamente excluído.

O ser humano, portanto, deve ter sempre plena consciência dessa sua enorme responsabilidade, de que é realmente independente em suas decisões básicas. Infelizmente, porém, ele se imagina ou um servo totalmente dependente ou se superestima como sendo uma parte do divinal. Provavelmente a causa disso se encontra no fato de que em ambos os casos se julga dispensado da responsabilidade. Em um caso, como criatura demasiadamente inferior e dependente, no outro caso, como sendo muito superior. Ambos, porém, são errados! Pode considerar-se como administrador ao qual compete, em certas coisas, uma livre resolução, contudo também a plena responsabilidade, gozando, por conseguinte, de grande confiança da qual não deve abusar com uma administração má.

Justamente essa perfeição torna necessário que o Criador, na realização de auxílios imediatos para a humanidade que anda por rumo errado, também tem de contar com um falhar da humanidade na sua tomada de decisão. Em Sua sabedoria e amor que lhe pertencem igualmente e, por sua vez, de acordo com as leis e de modo natural, reserva para tais casos novos caminhos de auxílio, que então se ligam em continuação ao primeiro caminho eventualmente cortado pelo falhar da humanidade.

Assim, já antes do tempo da encarnação do Filho de Deus, fora preparada no reino eterno do Pai um outro enviado para uma missão, para o caso de a humanidade vir a falhar, apesar do grande sacrifício de amor do Pai. Se o Filho de Deus, com sua sintonização puramente divina, não fosse ouvido, de tal modo que a humanidade, à sua advertência, manobrasse a chave de desvio na direção por ele apontada, mas permanecesse cegamente nos seus trilhos de até então rumo à ruína, deveria sair então mais um emissário, que pudesse estar mais próximo do âmago da humanidade do que o Filho de Deus, a fim de na última hora servir mais uma vez como advertidor e guia se – – – – ela quisesse ouvir sua conclamação para a Verdade. Esse é o Filho do Homem.

Cristo, como Filho de Deus, estava a par disso. Quando se deu conta do solo sufocado e ressecado das almas da humanidade, tornou-se-lhe claro, durante sua atuação, que sua peregrinação na Terra não traria aqueles frutos que, com boa vontade da humanidade, teriam de amadurecer. Isso o entristeceu sumamente, pois em virtude das leis da Criação a ele tão bem conhecidas, as quais portam a vontade de seu Pai, abrangia com a visão o incondicional prosseguimento para o fim inevitável, que a espécie e vontade dos seres humanos tinham de acarretar. E aí começou a falar do Filho do Homem, de sua vinda que estava se tornando necessária devido aos fatos que iam se formando. Quanto mais ia dando cumprimento à sua grande missão, que conforme a decisão da humanidade deixou abertos dois caminhos, ou uma grande obediência aos seus ensinamentos com a conseqüente ascensão, evitando tudo o que traz a ruína, ou um malogro e desabalada corrida na estrada em declive que teria de levar à destruição, tanto mais claramente via que a decisão da maioria da humanidade se inclinava para o falhar e a conseqüente destruição. Devido a isso transformou suas alusões ao Filho do Homem em promessas e anunciações diretas, ao falar: “Mas quando vier o Filho do Homem...” etc.

Com isso ele designava a época pouco antes do perigo da destruição, que, segundo as leis divinas, devia cumprir-se no mundo material, devido ao falhar da humanidade em face de sua missão, como meta final do rumo obstinadamente prosseguido. Profundamente sofreu ele outrora com esse reconhecimento.

Errada é cada tradição que afirma haver Jesus, o Filho de Deus, se designado como sendo simultaneamente também o Filho do Homem. Tal falta de lógica não se encontra nas leis divinas, nem pode ser atribuída ao Filho de Deus, como conhecedor e portador dessas leis. Os discípulos não tinham conhecimento disso, conforme se depreende de suas próprias perguntas. É só deles que surgiu o erro, que até hoje tem perdurado. Supunham que o Filho de Deus se designava a si mesmo com a expressão Filho do Homem, e nessa suposição propagaram o erro também à posteridade, a qual, da mesma forma que os discípulos, não se ocupou mais seriamente com a falta de lógica aí inerente, mas simplesmente passou por cima disso, em parte por temor, em parte por comodidade, apesar de que na retificação o amor universal do Criador ainda sobressai mais nítido e mais poderoso. Seguindo as pegadas do Filho de Deus, isto é, tomando e prosseguindo sua missão, o Filho do Homem, como segundo enviado de Deus-Pai, irá ao encontro da humanidade, a fim de arrancá-la de volta, pela anunciação da Verdade, do trajeto de até então e, de voluntária decisão, levá-la a uma outra sintonização, que desvie dos focos de destruição que agora a aguardam.

Filho de Deus – Filho do Homem! Que nisso deva haver uma diferença, evidentemente não é tão difícil de concluir. Cada uma dessas palavras tem seu sentido nitidamente delimitado e estritamente expresso, que uma mistura e fusão em uma só coisa tem de ser tachada de preguiça do pensar. Ouvintes e leitores das dissertações terão consciência do desenvolvimento natural que, partindo da Luz primordial, Deus-Pai, se estende para baixo, até os corpos siderais de matéria grosseira. O Filho de Deus veio do divino-inenteal, atravessando depressa o espírito-enteal e a matéria fina, para se encarnar no mundo de matéria grosseira. Por isso deve com todo o direito ser chamado a parte de Deus feita homem. A rapidez com que atravessou o espírito-enteal, donde se origina o espírito humano, não deixou que ele se detivesse lá o suficiente, bem como na subseqüente parte de matéria fina da Criação, para que seu espírito divino-inenteal pudesse levar consigo fortes invólucros protetores dessas diversas espécies, mas sim estes invólucros, normalmente servindo de couraça, permaneceram tênues. Isso trouxe a vantagem de que a essência divina irradiasse mais fácil e mais fortemente, portanto irrompesse, mas também a desvantagem de que nos planos inferiores da Terra, hostis à Luz, pudesse ser tanto mais rapidamente combatida e furiosamente agredida devido ao seu destaque. O poderoso divinal, apenas tenuemente coberto no invólucro de matéria grosso-terrenal, teve de ficar estranho entre as criaturas humanas por estar demasiadamente distante. Expresso figuradamente, poder-se-ia dizer, portanto, que seu espírito divino não se achava suficientemente preparado e armado para o terrenal inferior de matéria grosseira, devido à carência de agregação proveniente do espírito-enteal e da matéria fina. O abismo entre o divinal e o terrenal ficou apenas fracamente transposto.

Uma vez que os seres humanos não deram apreço nem preservaram essa dádiva do amor divino, mas sim, devido ao impulso natural de tudo quanto é das trevas, enfrentaram o luminoso Filho de Deus com hostilidades e ódio, assim tinha de vir um segundo emissário no Filho do Homem, mais fortemente armado para o mundo de matéria grosseira.

Também o Filho do Homem é um enviado de Deus, proveniente do divino-inenteal. Contudo, antes de seu envio ao mundo de matéria grosseira, ele foi inserido no eterno puro espírito-enteal, isto é, estreitamente ligado com a essência espiritual, donde promana a semente do espírito humano! Com isso o núcleo divino-inenteal desse segundo enviado se aproxima bem mais do espírito humano em sua origem, pelo que ganha ele também maior proteção e imediata força contra este.

Nas alturas mais elevadas da igual espécie do espírito humano vive, pois, para tudo o que existe, um ideal perfeito daquilo que a evolução a partir do espírito-enteal pode trazer dentro de si. Assim também o eterno ideal puro espírito-enteal de toda a feminilidade, por assim dizer como Rainha da feminilidade com todas as virtudes vivas. Cada germe espiritual feminino carrega dentro de si a saudade inconsciente de seguir o ideal puro, vivo na forma mais nobre. Lamentavelmente, muitas vezes durante a passagem através da materialidade, essa saudade inconsciente degenera para vaidade que, simulando e em ilusão própria deve substituir muita coisa não tornada viva, porém algo almejado. No entanto, essa saudade torna-se mais consciente ao ascender para a Luz, ainda no mundo da matéria fina. Assim que as baixas cobiças começam a desprender-se, ela irrompe cada vez mais forte para, no final, avivar e fortalecer as virtudes. O imã e foco dessa saudade nobre pelas virtudes femininas é a Rainha da feminilidade no reino eterno do Pai, o puro espírito-enteal. O núcleo divino inenteal do segundo enviado de Deus foi então lançado neste ideal espírito-enteal da feminilidade e por ela, como mãe espírito-enteal, educado no eterno reino de Deus-Pai, com o Templo do Graal como pátria de sua juventude espiritual. Somente daí se deu então o seu envio ao mundo de matéria grosseira, numa época em que ele, em hora determinada, possa entrar no campo de luta, a fim de poder apontar, aos que buscam Deus com sinceridade, pedindo por condução espiritual, o caminho certo ao reino do Pai e, ao mesmo tempo, conceder proteção contra os ataques dos que propendem para baixo e lhes são hostis.

Como ele, ao contrário do Filho de Deus, viveu sua juventude espiritual no espírito-enteal, portanto na origem e ponto de partida do espírito humano, está enraizado simultaneamente, além de no divino-inenteal, também firmemente no espírito-enteal. Ele aproxima-se com isso mais da espécie da humanidade e é na dualidade da origem e juventude verdadeiramente um ser humano divino! Procedendo do divino-inenteal e do puro espírito-enteal, da origem da humanidade. Por esse motivo ele é chamado, ao contrário do puro Filho de Deus, o Filho do Homem, ao qual, devido à sua origem, está aberto o caminho para o divino-inenteal! Por isso, ele traz força e poder divino dentro de si e encontra-se com isso bem preparado para a luta diante de toda a humanidade como também de Lúcifer.

Velai, portanto, a fim de o reconhecerdes, assim que tenha chegado a hora dele, pois ele também vos fará chegar a hora!

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