Na Luz da Verdade

Mensagem do Graal de Abdrushin


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Índice


69. No reino dos demônios e dos fantasmas

Para tal esclarecimento é necessário antes o saber de que o ser humano terreno não se encontra na Criação primordial, mas em uma Criação posterior. A Criação primordial é, única e exclusivamente, o reino espiritual realmente existente por si, conhecido pelas criaturas humanas como o Paraíso, cujo ápice constitui o Burgo do Graal com o portal para o divinal, que se encontra fora da Criação. A Criação posterior, porém, é o assim chamado “mundo” em seu eterno circular orbital, abaixo da Criação primordial, e cujos universos solares isolados estão sujeitos à formação e à desintegração, portanto, ao amadurecer, envelhecer e decompor, porque não foram criados diretamente pelo divinal, como a eterna Criação primordial, o Paraíso. A Criação posterior originou-se da vontade dos primordialmente criados e está sujeita à influência dos espíritos humanos em desenvolvimento, cujo caminho evolutivo passa através dessa Criação posterior. Por essa razão também a imperfeição nela, não encontrada na Criação primordial, que está sujeita à influência direta do divino Espírito Santo.

Para consolo dos primordialmente criados, totalmente desesperados por causa da imperfeição cada vez maior da Criação posterior, a qual se fazia sentir cada vez mais, foi clamado do divinal: “Aguardai aquele que Eu escolhi... para vosso auxílio!”, assim como foi interpretado na lenda do Graal, razoavelmente nítido, como retransmissão proveniente da Criação primordial. —

Agora, ao próprio tema: cada ação terrena pode ser considerada somente como expressão exterior de um processo interior. Por “processo interior” entende-se uma vontade da intuição espiritual. Cada vontade da intuição é ação espiritual que se torna incisiva para a existência de um ser humano, pois provoca ascensão ou descida. Em caso algum pode ser colocada no mesmo degrau que a vontade dos pensamentos. A vontade da intuição refere-se ao núcleo do próprio ser humano, a vontade dos pensamentos, porém, somente a um círculo exterior, mais fraco. Contudo, nem sempre ambas precisam se tornar também terrenalmente visíveis, apesar de seu efeito incondicional. A ação terrena, grosso-material, não é necessária para acumular um carma. Por outro lado, não existe nenhuma atividade terrena grosso-material à qual não devesse preceder uma vontade dos pensamentos ou uma vontade da intuição. A atividade terrenalmente visível, por isso, é dependente da vontade dos pensamentos ou da vontade da intuição, mas não inversamente.

Aquilo que é realmente incisivo para a existência de um espírito humano, para a sua ascensão ou descida, está, no entanto, ancorado de modo mais forte na vontade da intuição, à qual a criatura humana quase nem atenta, mas para cujo efeito incondicional, que jamais falha, não há nenhuma fuga, nem qualquer paliativo ou adulteração. Somente nisso reside o verdadeiro “vivenciar” do espírito humano; pois a vontade da intuição é a única alavanca para o desencadeamento das ondas de força espiritual, que se encontram na obra do Criador e que aguardam apenas o estímulo da vontade da intuição dos espíritos humanos, para levá-las então imediatamente à efetivação, de modo multiplamente aumentado. Exatamente a esse tão importante fenômeno, o mais importante até, a humanidade tem dado pouca atenção até agora.

Por tal motivo quero apontar sempre de novo para um ponto principal, aparentemente simples, mas que encerra tudo em si: a força espiritual, que perpassa a obra da Criação, pode obter ligação com a vontade da intuição dos espíritos humanos, tudo o mais fica excluído de uma ligação!

Já a vontade dos pensamentos não pode obter mais nenhuma ligação, muito menos quaisquer produtos da vontade dos pensamentos. Esse fato exclui toda a esperança de que a verdadeira força principal na Criação alguma vez pudesse ser posta em correlação com qualquer “invenção”! Contra isso é passado um ferrolho inamovível. O ser humano não conhece a força principal, tampouco os seus efeitos, embora se encontre dentro dela. O que este ou aquele pensador ou inventor imagina como força primordial, não o é! Trata-se então sempre apenas de uma energia bem secundária, da qual poderão ser descobertas muitas ainda com efeitos surpreendentes, sem com isso aproximar-se sequer um passo da força propriamente, da qual o espírito humano se serve diariamente de modo inconsciente. Infelizmente como que brincando, sem dar atenção às horríveis conseqüências dessa desmesurada leviandade! Em sua irrestrita ignorância, tenta sempre desviar criminosamente a responsabilidade das conseqüências para Deus, o que, no entanto, não o liberta da grande culpa com a qual se sobrecarrega pelo seu... não querer saber.

Quero tentar apresentar aqui uma imagem clara. Uma pessoa, por exemplo, intui inveja. Diz-se comumente: “A inveja brota dela!” De início trata-se de uma intuição genérica, muitas vezes nem claramente consciente ao espírito humano. Essa intuição, contudo, ainda nem moldada em determinados pensamentos, portanto, sem ter ainda “chegado” ao cérebro, já é aquilo que traz em si a chave, que unicamente é capaz de estabelecer ligação com a “força viva”, de formar a ponte até lá. Imediatamente flui então tanto dessa “força viva” existente na Criação para a referida intuição quanto seja a sua capacidade de assimilação, que é condicionada pela respectiva força da intuição. Somente com isso a intuição humana, isto é, “espiritualizada”, torna-se viva em si e recebe a enorme capacidade geradora (não força geradora) no mundo de matéria fina, que torna o ser humano senhor entre todas as criaturas, a criatura suprema na Criação. Esse fenômeno, contudo, deixa-o exercer também imensa influência sobre toda a Criação posterior, acarretando com isso... responsabilidade pessoal, que criatura alguma além dele na Criação posterior pode ter, uma vez que somente o ser humano possui a faculdade determinante para tanto, a qual reside na constituição do espírito.

E somente ele, em toda a Criação posterior, contém espírito em seu âmago mais íntimo e obtém por isso, como tal, também exclusivamente ligação com a força viva superior que reside na Criação posterior. Por sua vez, os primordialmente criados no Paraíso são de espírito diferente do que os que peregrinam pelos mundos, os assim chamados seres humanos terrenos, razão pela qual sua faculdade de ligação destina-se também a uma onda de força diferente, mais elevada e ainda muito mais forte, da qual se utilizam conscientemente, podendo criar assim de modo natural também coisas muito diferentes do que os peregrinos dos mundos, aos quais pertencem os seres humanos terrenos, cuja onda de força superior é apenas uma gradação da energia latente na Criação primordial, assim como os próprios seres humanos terrenos são apenas uma gradação dos primordialmente criados.

O que até hoje tem faltado principalmente ao saber humano é o conhecimento das muitas gradações de tudo aquilo que se encontra na Criação primordial, que se tornam cada vez mais fracas em direção descendente, e o reconhecimento de que eles próprios pertencem apenas a essas gradações. Se esta compreensão tiver uma vez penetrado corretamente, então cai a presunção de até agora e assim o caminho para a escalada fica livre.

Ruirá então por si, miseravelmente, a tola ilusão de serem os supremos, de trazerem dentro de si até mesmo algo de divinal e, por fim, restará apenas vergonha libertadora. Os primordialmente criados, tão mais superiores e mais valiosos, não possuem tal presunção. Apenas sorriem complacentemente dos desencaminhados vermes terrenos, tal qual sorriem muitos pais da tagarelice imaginosa de seus filhos.

Mas voltemos à intuição. A intuição assim fortalecida de uma pessoa, em gradação posterior, gera então imediatamente, de modo natural, uma configuração que corporifica mui exatamente a espécie da intuição! Nesse caso, pois, a inveja. De início, a configuração acha-se dentro, a seguir, ao lado do seu gerador, ligada a este por um cordão nutridor. Concomitantemente, porém, sob o efeito da lei de atração da igual espécie, entra ela logo e naturalmente em contato com o local de concentração das configurações de espécies iguais e recebe de lá vigoroso reforço, que, juntamente com a nova configuração, constitui agora o ambiente de matéria fina da respectiva pessoa.

Nesse ínterim, a intuição sobe até o cérebro, e aqui desperta pensamentos de igual espécie, que delineiam nitidamente o alvo. Assim, os pensamentos tornam-se canais ou vias por onde as configurações seguem em direção a um bem determinado alvo, a fim de ali causar danos, se encontrarem solo para tanto. A pessoa visada como alvo, tendo em si apenas solo puro, portanto, vontade pura, não oferece a essas configurações nenhuma área de agressão, nenhuma base de ancoragem. Nem por isso elas se tornam acaso novamente inofensivas, mas sim continuam a vagar isoladamente ou juntam-se com as espécies iguais em seus locais de aglomeração que podem ser chamados de “planos”, visto estarem sujeitas à lei de sua gravidade espiritual e, por isso, têm de formar determinados planos, os quais sempre apenas podem admitir e prender espécies iguais. Dessa maneira, porém, continuam absolutamente perigosas para todos aqueles espíritos humanos que não trazem em si suficiente pureza na forte vontade para o bem, e trazem por fim também destruição a seus geradores, uma vez que sempre permanecem em ligação com os mesmos, e continuamente deixam refluir pelo cordão nutridor novas energias de inveja sobre eles, que as próprias configurações recebem da aglomeração das centrais. Por isso não é tão fácil a tal gerador entregar-se novamente a intuições mais puras, porque fica fortemente tolhido devido ao refluxo das energias de inveja. É continuamente arrancado disso. É forçado a aplicar muito mais esforços para a escalada, do que um espírito humano que não esteja de tal modo tolhido. E somente mediante uma constante vontade pura, fenece, pouco a pouco, um cordão nutridor do mal, até que por fim, secando, caia sem forças. Isto é a libertação do gerador de tal mal, pressuposto que a sua configuração não tenha até aí causado dano; pois então entrarão logo novas ligações em vigor, as quais também devem ser resgatadas.

Para uma dissolução de tais fios, faz-se necessário, então, um novo encontro, no Aquém ou no Além, com as pessoas prejudicadas por esse mal, até que aí surjam o reconhecimento e o perdão. A conseqüência disso é que uma escalada do gerador de tais configurações não poderá preceder a escalada daqueles que foram assim atingidos. Os fios de ligação ou do destino retêm-no, enquanto não ocorrer uma dissolução pela reparação e pelo perdão.

Mas isso ainda não é tudo! Essa vontade da intuição tem, sob o reforço da “força” viva, um efeito ainda muito maior; pois não somente povoa o mundo de matéria fina, mas também dirige os destinos de toda a Criação posterior, à qual pertence a Terra e todos os astros circunvizinhos! Interfere, portanto, também na matéria grosseira. De modo construtivo ou destrutivo! A tal respeito devia o ser humano finalmente reconhecer quantos disparates já cometeu, em vez de cumprir seus deveres oriundos das faculdades de seu espírito, para bênção desta Criação posterior e de todas as criaturas. Muitas vezes o ser humano pergunta por que a luta se manifesta na natureza e, no entanto, o enteal na Criação posterior se orienta... segundo a índole das criaturas humanas! Com exceção dos enteais primordialmente criados. – Mas prossigamos:

Os produtos da vontade da intuição do espírito humano, as configurações antes mencionadas, não deixam de existir depois que se desprendem de seu gerador, mas continuam existindo de maneira autônoma, enquanto forem recebendo nutrição dos espíritos humanos que têm a mesma espécie que elas! Não é necessário que seja seu próprio gerador. Procuram ensejo para agarrar-se a este ou àquele ser humano disposto a tanto ou também a seres humanos fracos para uma defesa. São elas, no mau sentido, os demônios, oriundos da inveja, do ódio e de tudo quanto é similar. No bom sentido, porém, são entes benfazejos, que estabelecem a paz com amor e favorecem a ascensão.

Em todos esses fenômenos não é absolutamente necessária uma ação terrenalmente visível das pessoas, ela adiciona somente novas cadeias ou fios que terão de ser resgatados no plano da matéria grosseira, tornando necessária uma reencarnação, se a remissão não puder se realizar em uma vida terrena.

Essas configurações da vontade da intuição do ser humano contêm em si força, porque se originam da vontade espiritual em ligação com a “força principal neutra” e, o que é o mais importante, porque com isso, ao serem formadas, recebem em si algo do enteal, isto é, aquela espécie de onde se desenvolvem os gnomos, etc. A vontade de um animal não pode realizar isso, porque a alma do animal nada tem de espiritual em si, mas apenas de enteal. É, portanto, um fenômeno que somente se realiza nas configurações da vontade da intuição humana, que por isso tem de trazer grande bênção no caso de vontade boa, mas incalculável desgraça no caso de vontade má, porque um núcleo enteal de tais configurações possui força impulsionadora própria, ligada à capacidade influenciadora sobre tudo o que é de matéria grosseira. E, com isso, a responsabilidade do espírito humano aumenta enormemente. Sua vontade da intuição cria, de acordo com sua espécie, os entes de vontade boa, bem como também os demônios vivos.

Ambos são exclusivamente produtos da capacidade do espírito humano na Criação posterior. Contudo, o seu núcleo naturalmente impulsionador, e com isso imprevisível em sua ação, não se origina da entealidade com capacidade de vontade, de onde provêm as almas dos animais, mas de uma gradação inferior a isso, que não possui capacidade de vontade própria. Existem também na entealidade, assim como na região do espírito situada acima dela, muitas gradações e determinadas espécies, a cujo respeito ainda devo falar em especial. *(Dissertação Nº 49: A diferença na origem entre o ser humano e o animal)

Para esclarecimento adicional, sirva ainda que o enteal também encontra contato com uma força viva, latente na Criação, que, contudo, não é a mesma à qual a vontade do espírito humano tem ligação, mas somente uma gradação disso.

Exatamente as variadas possibilidades e impossibilidades de ligação são os mais severos guardiões da ordem na Criação posterior, resultando em firme e inamovível estrutura em todo o formar e decompor.

Tão longe, portanto, alcança a atuação do espírito humano. A tal respeito olhai hoje os seres humanos, observando-os corretamente, e podereis imaginar quanta desgraça já causaram. Principalmente quando aí forem consideradas as ulteriores conseqüências da atividade dessas configurações vivas, que são lançadas, sim, sobre todas as criaturas! É, pois, como a pedra que, uma vez atirada pela mão, fica fora do controle e da vontade de quem a arremessou.

Ao lado dessas configurações, para as quais a descrição de sua extensa atividade e influência seria necessário um livro inteiro, existe uma outra espécie que está em íntima ligação com as mesmas, mas que constitui uma seção mais fraca. Apesar disso, é ainda bastante perigosa para molestar muitas pessoas, obstá-las e até levá-las ao soçobro. São as configurações dos pensamentos. Portanto, as formas de pensamentos, os fantasmas.

A vontade dos pensamentos, portanto, o produto do cérebro terreno, ao contrário da vontade da intuição, não possui a capacidade de entrar em ligação direta com a força principal neutra existente na Criação. Devido a isso falta a tais formas também o núcleo autônomo das configurações da intuição, as quais, em comparação com as almas dos animais, podemos chamar apenas de “sombras anímicas enteais”. As formas de pensamentos permanecem incondicionalmente dependentes de seu gerador, com o qual estão ligadas de maneira semelhante às configurações da vontade da intuição. Portanto, mediante um cordão nutridor, que forma simultaneamente a via para os efeitos de retorno da reciprocidade. Sobre essa espécie, porém, já anteriormente falei uma vez de forma pormenorizada na dissertação “Formas de Pensamentos”. *(Dissertação Nº 22) Por isso, posso poupar uma repetição nesse ponto.

As formas de pensamentos são, em relação à lei da reciprocidade, o degrau mais fraco. Apesar disso, ainda atuam de forma bastante desastrosa, podendo ocasionar não só a ruína de espíritos humanos isolados, mas até de grandes massas, bem como contribuir para a devastação de partes inteiras do Universo, tão logo sejam excessivamente nutridas e cultivadas pelas criaturas humanas, recebendo assim um poder não imaginado, conforme ocorreu nos últimos milênios.

Assim, todo o mal se originou somente através dos próprios seres humanos. Através de sua incontrolada e errada vontade da intuição e dos pensamentos, bem como através de sua leviandade nisso! —

Esses dois domínios, o reino das configurações da vontade da intuição humana e o reino das formas da vontade dos pensamentos humanos, onde, naturalmente, também espíritos humanos reais são obrigados a viver, constituíam exclusivamente o campo de trabalho e de visão dos maiores “magos” e “mestres” de todos os tempos, que aí se enredam e por fim, por ocasião do trespasse, também aí ficam detidos. E hoje?

Os “grandes mestres no ocultismo”, os “iluminados” de tantas seitas e lojas maçônicas... não estão em situação melhor! Mestres são eles apenas nesses reinos. Vivem entre suas próprias configurações. Somente ali podem ser “mestres”, não, porém, na verdadeira vida do Além! Tão longe nunca vai o poder e a maestria deles.

Criaturas humanas dignas de lástima, não importando se professam a magia negra ou a branca, conforme a espécie da vontade, má ou boa... julgavam-se e julgam-se poderosas na força do espírito, quando, na verdade, são menos do que uma pessoa ignorante a tal respeito. Esta, com sua simplicidade infantil, encontra-se bem acima dos campos de atuação, já por si inferiores, de tais ignorantes “príncipes do espírito”, portanto, mais elevada no espírito do que estes.

Tudo seria, sim, muito belo e bom, se os efeitos da atuação de tais sumidades pudessem recair retroativamente apenas sobre eles próprios, mas tais “mestres”, com seus esforços e atividades, deixam mais movimentadas as camadas inferiores, por si próprias insignificantes e, sem necessidade, agitam-nas, fortalecem-nas assim, a ponto de torná-las perigosas para todos os fracos na defesa. Para outros, ficam felizmente inócuas; pois um espírito humano ingênuo, que se alegra com sua existência de maneira infantil, eleva-se sem mais nem menos para além dessas camadas inferiores, nas quais os sabichões chafurdam, acabando por ficar ali presos pelas formas e configurações fortalecidas por eles próprios. Por mais sério que isso deva ser considerado, ao ser visto de cima, apresenta-se indizivelmente ridículo e triste, indigno do espírito humano. Pois, inflados por falsa presunção e enfeitados de quinquilharias, rastejam e formigam ativamente em redor, a fim de insuflar vida a um tal reino. Um reino de sombras no mais verdadeiro sentido, um mundo inteiro de aparências, que se torna capaz de simular todo o possível e o impossível. E aquele, que o evocou primeiro, por fim não é capaz de bani-lo novamente, tem de sucumbir! Muitos, pois, perscrutam com afinco, para lá e para cá nessas camadas inferiores, supondo com orgulho que altura colossal alcançaram dessa maneira. Um espírito humano, claro e singelo, no entanto, pode passar descuidadamente, sem mais nem menos, por essas camadas inferiores, sem ter de aí se deter de algum modo.

O que devo ainda dizer sobre tais “sumidades”? Nem um sequer daria ouvidos a isso, uma vez que no seu reino de aparência podem por certo lapso de tempo aparentar o que na verdadeira existência do espírito vivo jamais conseguirão ser; pois lá está determinado para eles: “servir”. Então o querer ser mestre cessa rapidamente. Por esse motivo lutam contra isso, visto que muito lhes é tomado pela verdade! Falta a coragem para suportar isso. Quem deixaria cair de bom grado toda a estruturação de sua imaginação e de suas vaidades? Teria de ser de fato uma pessoa direita e realmente grande! E uma tal não teria caído em tais ciladas da vaidade.

Só uma coisa aí é entristecedora: quantas, ou melhor dito, quão poucas pessoas são tão esclarecidas e firmes em si, quão poucas ainda dispõem de tão infantil e alegre ingenuidade, a fim de poderem transpor ilesas esses planos, levianamente criados e continuamente fortalecidos pela vontade dos seres humanos. Para todas as demais, porém, será conjurado com isso um perigo que só aumenta constantemente.

Se os seres humanos, finalmente, pudessem se tornar realmente videntes nisso! Quanta desgraça poderia ser evitada. Através de uma intuição mais pura, do pensar puro de cada ser humano, todos os planos sombrios e escuros do Além teriam de ficar logo tão enfraquecidos, que até aos espíritos humanos ali retidos e em luta chegaria uma redenção mais rápida, porque conseguiriam livrar-se mais facilmente do ambiente tornado mais fraco. —

Exatamente como tantos grandes “mestres” aqui na Terra, também no Além espíritos humanos vivenciam tudo como sendo inteiramente legítimo nos diversos ambientes, nas formas e nas configurações, quer seja nas regiões sombrias e inferiores, quer nas de matéria fina já mais elevadas, mais agradáveis... o medo como também a alegria, o desespero como a redenção libertadora... e, todavia, nem se encontram aí no reino da verdadeira vida, mas a única coisa realmente viva aí são apenas eles próprios! Tudo o mais, seu bem variado e mutável ambiente, só pode existir através deles mesmos e de seus semelhantes aqui na Terra.

Até o próprio inferno é apenas produto dos espíritos humanos, existindo, com efeito, e trazendo em si também sério perigo, desencadeando sofrimentos medonhos, e, todavia, dependente totalmente da vontade de todos aqueles seres humanos cujas intuições suprem o inferno com força para a existência, a partir da força neutra de Deus, a qual se encontra na Criação para utilização dos espíritos humanos. O inferno, portanto, não é instituição alguma de Deus, mas uma obra das criaturas humanas!

Quem reconhece isso direito, aproveitando então conscientemente esse reconhecimento, ajudará a muitos, também ele próprio escalará mais facilmente para a Luz, onde unicamente se encontra toda a verdadeira vida.

Se os seres humanos pelo menos uma vez ainda se abrissem a ponto de se tornarem aptos a pressentir que tesouro está à sua disposição nesta Criação! Um tesouro que deve ser encontrado e erguido por cada espírito humano individualmente, isto é, que deve ser utilizado conscientemente: a força neutra principal, tantas vezes por mim mencionada. Ela não conhece a diferença entre o bem e o mal, mas sim se encontra fora de tais conceitos, é simplesmente “força viva”.

Cada vontade da intuição de uma pessoa age como chave desse tesouro, estabelece contato com essa força sublime. Tanto a vontade boa como a vontade má. Ambas são reforçadas e avivadas pela “força”, porque esta reage imediatamente à vontade da intuição do espírito humano. E somente à esta, nada além disso. A espécie da vontade é determinada pelo ser humano, está exclusivamente em suas mãos. A força não conduz nem o que é bom, nem o que é mau, mas ela é simplesmente “força” e vivifica o que o ser humano quis.

Importante é saber aqui, contudo, que o ser humano não traz em si mesmo essa força vivificadora, mas possui apenas a chave para isso, na capacidade de suas intuições. É, portanto, administrador dessa força criadora e formadora, que atua de acordo com a sua vontade. Por esse motivo, tem de prestar contas da atividade administrativa que exerce a cada hora. Inconscientemente, no entanto, brinca nisso com o fogo, qual criança ignorante e, por isso, como tal, ocasiona grandes danos. Não tem necessidade, porém, de ser ignorante! Esse é o seu erro! Todos os profetas e por último o Filho de Deus esforçaram-se em dar clareza a respeito desse ponto mediante parábolas e ensinamentos, em mostrar o caminho que as criaturas humanas devem seguir, de que maneira devem intuir, pensar e agir, a fim de proceder de modo certo!

Foi, porém, em vão. Com esse poder incomensurável, confiado a eles, os seres humanos continuaram brincando somente segundo seu próprio parecer, sem ouvir as advertências e conselhos da Luz, e trazem assim por fim o desmoronamento e a destruição de suas obras e também de si próprios; pois essa força atua de modo inteiramente neutro, fortalece tanto a boa como a má vontade de um espírito humano, mas devido a isso destrói, de modo frio e sem hesitar, também a viatura e o condutor, como acontece com automóveis guiados erradamente. A imagem é certamente bastante clara enfim. Mediante a vontade e os pensamentos, os seres humanos dirigem os destinos de toda a Criação posterior, bem como também os deles mesmos, e nada sabem disso. Favorecem o florescer ou o fenecer, podem alcançar soerguimento na maior harmonia ou também aquela confusão caótica que atualmente se dá! Ao invés de construir sensatamente, apenas malbaratam desnecessariamente o tempo e a energia com tantas vaidosas futilidades. Sensatos chamam a isso agora de castigo e julgamento, o que em certo sentido está correto, e, todavia, foram os próprios seres humanos que forçaram tudo quanto agora acontece.

Houve já muitas vezes pensadores e observadores que pressentiram tudo isso, mas se equivocaram na errônea suposição de que esse poder do espírito humano se manifestasse como um sinal da própria divindade. Isso é um engano, resultante apenas de observação externa e unilateral. O espírito humano não é nem Deus, nem divino. Esses tais, que pretendem ser sábios, só vêem o aspecto externo dos fenômenos, mas não o núcleo. Nos efeitos, confundem a causa. E, lamentavelmente, originaram-se dessa insuficiência muitas doutrinas errôneas e presunções. Por isso, mais uma vez acentuo: a força de Deus que perflui permanentemente a Criação, e que nela reside, é apenas emprestada a todos os espíritos humanos. Eles podem dirigi-la, ao utilizar-se dela, mas não a contêm em si, ela não lhes pertence! Tal força pertence apenas ao divinal. Este a aplica, no entanto, somente para o bem, porque o divinal nem conhece as trevas. Os espíritos humanos, porém, aos quais ela é emprestada, criaram com isso para si um covil de assassinos!

Por isso mais uma vez clamo insistentemente a todos: conservai puro o foco da vontade e de vossos pensamentos, com isso estabelecereis a paz e sereis felizes! Desse modo a Criação posterior, finalmente, ainda se assemelhará à Criação primordial, na qual reinam apenas Luz e alegria. Tudo isso está nas mãos dos seres humanos, na capacidade de cada espírito humano autoconsciente, que não permanece mais um estranho nesta Criação posterior! — —

Muitos dos meus ouvintes e leitores, intimamente, desejarão que eu ainda junte aos esclarecimentos alguma imagem condizente com tal fenômeno, proporcionando um panorama vivo para melhor compreensão. A outros, por sua vez, isso estorvará. Pode haver também os que digam a si mesmos que eu com isso enfraqueço a seriedade do que foi dito, porque a reprodução de um fenômeno vivo nesses planos facilmente pode ser considerada como fantasia ou vidência. Algo semelhante até já tive de ouvir, quando publiquei minhas dissertações: “O Santo Graal” e “Lúcifer”. Todavia, as pessoas que investigam a fundo, e que não têm os ouvidos espirituais fechados, intuirão também aquilo, para o que isso é dito por mim. A essas, unicamente, destina-se também a imagem que quero dar a respeito; pois saberão que não é fantasia nem vidência, mas sim muito mais.

Tomemos, pois, um exemplo: uma mãe pôs fim à vida por afogamento, arrastando consigo à morte terrena seu filho de dois anos. Ao acordar no Além, ela se encontra então afundando em águas lôbregas, lamacentas; pois o último e terrível momento da alma tornou-se vivo na matéria fina. É o lugar onde todas as espécies iguais sofrem a mesma coisa junto com ela, em contínuo tormento. Conserva nos braços o seu filho, que a ela se apega com angústia mortal, mesmo que no ato terrenal ela o tenha lançado antes às águas. Esses terríveis momentos ela terá de vivenciar durante um período menor ou maior, de acordo com a sua constituição anímica, deverá ficar, portanto, afogando-se permanentemente, sem que aí chegue a um fim, sem perder a consciência. Pode durar decênios ou ainda mais, até que desperte em sua alma o legítimo grito de socorro, baseado em pura humildade. Isso não ocorre com facilidade; pois em seu redor somente existe espécie igual, mas nenhuma Luz. Ouve apenas maldições horrendas e imprecações, palavras grosseiras, vê somente brutal falta de consideração.

Com o tempo, então, talvez lhe irrompa em primeiro lugar o impulso de pelo menos proteger o filho daquilo, ou de tirá-lo daquele ambiente medonho e do perigo e tormento contínuos. Angustiada, no próprio ter que afundar, ela o mantém, por isso, acima da superfície fétida e viscosa, enquanto muitas outras figuras ao seu redor, agarrando-se a ela, procuram arrastá-la consigo às profundezas.

Essas águas pesadas como chumbo são os pensamentos vivificados na matéria fina, mas ainda sem contornos nítidos, dos suicidas por afogamento, bem como de todos aqueles que ainda se encontram na Terra e se ocupam com pensamentos semelhantes. Estes têm ligação entre si e, atraindo-se de modo recíproco, conduzem mutuamente sempre novos reforços, com o que os tormentos se renovam infinitamente. Tais águas haveriam de secar, se ao invés desses afluxos de igual espécie afluíssem da Terra ondas de pensamentos refrescantes, alegres, cheios de vida.

A preocupação, pois, pela criança, a qual o instinto natural materno pode com o tempo aumentar até um amor dedicado e cuidadoso, recebe força bastante a fim de formar o primeiro degrau da escada de salvamento para a mãe, que a conduz para fora desse tormento que ela mesma criou para si, mediante tal fim prematuro de sua existência terrena. Ao desejar agora resguardar a criança do tormento para o qual ela própria a arrastou, ela nutre algo de mais nobre em si, o que por fim consegue elevá-la para o próximo ambiente, não tão lúgubre.

A criança em seus braços não é, na realidade, a alma viva do filho que ela arrastou consigo para as águas, matando-o. Tal injustiça não pode ocorrer. Na maioria dos casos, a alma viva da criança brinca em paragens ensolaradas, ao passo que a criança nos braços da mãe em luta é apenas... um fantasma, uma configuração viva da intuição da assassina e também... da criança! Pode ser então uma configuração de culpa, originada, portanto, sob a pressão da consciência de culpabilidade, ou uma configuração do desespero, do ódio, do amor, não importa, a mãe supõe que seja o próprio filho vivo, porque a configuração assemelha-se perfeitamente à criança e assim também se move, chora, etc. Não quero entrar em tais pormenores nem nas muitas variações.

Inúmeros fenômenos poderiam ser descritos, cujas espécies sempre se encontram ligadas exatamente às ações precedentes.

Uma coisa, porém, ainda quero citar como exemplo, de que modo ocorre a transição do Aquém para o Além.

Admitamos que uma senhora ou uma moça tenha chegado na situação não desejada de vir a ser mãe e que, conforme infelizmente sucede mui freqüentemente, tenha providenciado algo contra isso. Mesmo que tudo haja ocorrido, em casos especialmente favoráveis, sem prejuízos corpóreos, no entanto, com isso o ato não está concomitantemente remido. O mundo de matéria fina, como ambiente depois da morte terrena, registra de modo exato e ininfluenciável. Desde o momento em que isso ocorreu, apegou-se ao pescoço de matéria fina da mãe desnaturada o corpo de matéria fina da criança em formação, para não sair desse lugar até que o ato seja remido. Evidentemente, isto a respectiva moça ou senhora não notará enquanto viver na Terra, no corpo de matéria grosseira. No máximo sentirá, como efeito, uma vez ou outra, certa sensação levemente angustiante, porque o pequeno corpo de matéria fina da criança em relação ao corpo de matéria grosseira tem a leveza de uma pluma, e a maioria das jovens, hoje, é demasiadamente embotada para sentir esse pequeno fardo. Esse embotamento, contudo, não constitui nenhum progresso, tampouco um sinal de saúde robusta, pelo contrário, significa retrocesso, o sinal de estar enterrada animicamente.

No momento da morte terrena, porém, o peso e a densidade do pequeno corpo infantil nela aderido tornam-se iguais aos do corpo de matéria fina da mãe ao sair do corpo terreno, e com isso um autêntico fardo. Causará ao corpo de matéria fina da mãe, imediatamente, os mesmos incômodos como na Terra o agarrar-se de um corpo infantil de matéria grosseira ao seu pescoço. Conforme a natureza dos fatos anteriores, isso pode crescer até um tormento asfixiante. Terá a mãe de carregar no Além esse corpo infantil e dele não ficará livre até que nela desperte o amor materno, procurando então, de modo cuidadoso, proporcionar ao corpo infantil todas as facilidades e cuidados, penosamente e com sacrifício da própria comodidade. Até lá, porém, muitas vezes há um caminho longo, cheio de espinhos!

Esses acontecimentos não deixam de ter naturalmente também uma certa alegria triste. Basta apenas imaginar que uma pessoa qualquer, da qual tenha sido retirada a parede separadora entre o Aquém e o Além, entre em uma família ou reunião social. Ali talvez se encontrem senhoras sentadas em animada conversa. Uma das senhoras ou “donzelas” emite com revolta moral durante a conversa juízos reprovadores sobre os seus semelhantes, enquanto que a visita vê, pendurado justamente no pescoço daquela tão revoltada ou orgulhosa, um ou até vários pequenos corpos infantis. E não somente isso, mas em cada uma das demais pessoas pendem as obras de sua verdadeira vontade, nitidamente visíveis, que freqüentemente se encontram na mais grotesca oposição com as suas palavras e com aquilo que ela gostaria de aparentar e que também procura representar perante o mundo.

Quantas vezes um juiz encontra-se muito mais sobrecarregado de culpa diante de um réu por ele próprio condenado do que este o é. Quão céleres passarão os poucos anos terrenos, e então ele estará diante do seu juiz, perante o qual valem outras leis. E o que, então?

Infelizmente, na maioria dos casos, o ser humano consegue enganar o mundo de matéria grosseira de modo fácil, no mundo de matéria fina, ao contrário, isso é impossível. Lá, felizmente, o ser humano terá de colher realmente aquilo que semeou. Por isso ninguém precisa se desesperar se aqui na Terra, temporariamente, a injustiça mantiver o predomínio. Nem sequer um único mau pensamento permanecerá inexpiado, mesmo que não se tenha concretizado em uma ação de matéria grosseira.

Mensagem do Graal de Abdrushin


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