Ressonâncias da Mensagem do Graal 1

de Abdrushin


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57. Faça-se a Luz!

Faça-se a Luz! Quão distante ainda se encontra o ser humano da compreensão dessa grande sentença da Criação! Distante até ainda da vontade certa de aprender a compreender esse acontecimento. E mesmo assim, ocupa-se sempre de novo com isso há milênios. Mas, de acordo com sua maneira. Não com humildade ele quer aceitar uma centelha de compreensão oriunda da Verdade, recebê-la com pureza, mas, sim, apenas sofismar tudo, ele próprio, de modo intelectivo.

Cada tese, que estabelece a tal respeito, ele quer imprescindivelmente poder fundamentar segundo a espécie e a necessidade de seu cérebro terreno. Isso está absolutamente certo no que diz respeito às coisas terrenas e a tudo, que faz parte da matéria grosseira, a que também pertence o cérebro, do qual provém o intelecto; pois o intelecto outra coisa não é senão a compreensão grosso-material. Por essa razão, também os seres humanos, que se submetem somente ao intelecto, e que somente querem que seja considerado justo e certo aquilo, que pode ser incondicionalmente comprovado de modo intelectivo, são todos mui estreitamente limitados e estão indissoluvelmente ligados à matéria grosseira. Com isso, porém, eles estão também distanciados ao máximo do verdadeiro saber e do saber em geral, apesar de justamente eles se julgarem sábios!

Nessa mesquinhez se encontra hoje a ciência inteira diante de nós, se a contemplarmos direito. Restringindo-se a si própria, oprimindo com força e recusando medrosamente tudo, que não pode comprimir também nos seus limites estreitos da compreensão tão presa à Terra. Recusando realmente com medo, porque tais cientistas, apesar da rigidez, não podem negar que existe mais do que somente aquilo, que eles são capazes de catalogar no registro do cérebro grosso-material, o que, portanto, com isso também ainda pertence incondicionalmente ao plano de matéria grosseira, às últimas ramificações na extremidade inferior desta grande Criação!

Em seu medo, alguns deles se tornam maldosos e até perigosos em relação a todos aqueles, que não querem se deixar envolver nessa rigidez, mas que esperam mais do espírito humano e por esse motivo não pesquisam somente com o intelecto preso à Terra, mas, sim, com o espírito, indo além dos acontecimentos grosso-materiais, assim, como é digno de um espírito humano ainda sadio, e como continua sendo seu dever nesta Criação.

Os seres humanos de intelecto querem, a qualquer preço, subjugar espíritos vigilantes. Assim foi durante milênios. E as trevas, que cada vez mais rapidamente se espalharam, principalmente por intermédio dos seres humanos de intelecto, como conseqüência de tal restrição grosso-material, formaram com o decorrer do tempo o solo para a possibilidade de desenvolvimento do poder do intelecto.

O que não podia ser comprovado intelectualmente foi hostilizado, sempre que possível ridicularizado, para que não encontrasse acolhida e não pudesse inquietar os seres humanos de intelecto.

Preventivamente, procurou-se difundir como sabedoria que tudo aquilo pertence apenas a uma teoria insustentável, que não pode ser averiguado e confirmado pelo intelecto!

Esse princípio, assim estabelecido pelos seres humanos de intelecto, tem sido o seu orgulho e também a sua arma e o seu escudo durante milênios, até mesmo seu trono, que agora terá de vir a ruir já no início do despertar espiritual! O despertar espiritual mostra que essa tese tem sido completamente errada e que foi torcida com atrevimento ilimitado, apenas para proteger com isso a estreiteza presa à Terra, para conservar o espírito humano em sono inativo.

Ninguém viu que justamente nessa afirmação simultaneamente também foi dada a prova de quão distante o trabalho do intelecto deve se situar do verdadeiro saber.

Rompei o limite estreito, que vos foi traçado apenas por esperteza, para que vós não vos torneis capazes de crescer para mais além da arrogante erudição terrena do intelecto humano! Aprendereis depressa a intuir que exatamente tudo aquilo, que se deixa comprovar pelo intelecto, pertence à teoria; pois somente a teoria construída terrenalmente pode ser comprovada como construção, o verdadeiro saber, nunca!

Por conseguinte, também aqui é exatamente o contrário do que até agora foi afirmado. Também nisso, tudo tem que se tornar novo, conforme o Senhor prometeu aos seres humanos! —

O que se deixa comprovar pelo intelecto é tudo teoria terrena, nada mais! E sobre isso se apóia a erudição de hoje, assim ela se mostra diante de nós. Isso, porém, nada tem a ver com ciência, isto é, com o verdadeiro saber! Há eruditos, que segundo as leis primordiais da Criação, isto é, segundo a realidade, pertencem aos mais restritos entre os espíritos humanos, mesmo que tenham grande projeção terrena e sejam muito respeitados pelos seres humanos. Exercem, na própria Criação, apenas um papel ridículo. Para os espíritos humanos desta Terra, porém, algum dentre eles pode tornar-se muito perigoso, porque ele os conduz por caminhos falsos e estreitos, nos quais o espírito nunca é capaz de se desenvolver. Ele os mantém oprimidos, procura constrangê-los dentro de sua própria erudição, que no fundo não passa de estreiteza terrena do intelecto, envolta em futilidades.

Despertai, ampliai-vos, criai espaço para o vôo às alturas, ó espíritos humanos, que não fostes criados para permanecer somente na matéria grosseira, a qual deveis aproveitar, mas não considerar como pátria.

Na época atual, tão errada, um camponês, às vezes, é espiritualmente mais desperto e, com isso, mais valioso na Criação do que um erudito, no qual a intuição pura se perdeu completamente. Tem, sim, um sentido profundo, quando se fala em trabalho árido do intelecto, ou em erudição árida. Quantas vezes o ser humano mais simples, com uma expressão da intuição, encontra infalivelmente o certo. A expressão “árido” significa aqui “sem vida”, por conseguinte, morto! Não há vida nisso. E essa expressão traz verdade em si.

Por esse motivo, o ser humano nunca poderá compreender com o intelecto o alto conceito da sentença sagrada: “Faça-se a Luz!” Apesar disso, ou talvez exatamente por isso, o “Faça-se” não o deixa em paz no pensar! Sempre e sempre de novo ele procura formar uma imagem disso para, dessa maneira, chegar ao como. Se, porém, sabe do como, então surge nele logo também a pergunta: Por quê?

Ele quer finalmente também saber ainda por que Deus, enfim, fez surgir a Criação! Assim é o ser humano em sua espécie. No entanto, ele próprio gostaria de perscrutar tudo. Perscrutar, no entanto, ele nunca o poderá! Pois para o perscrutar precisaria utilizar a atividade do seu próprio espírito. Para isso, porém, este nem poderia chegar à atividade com o claro trabalho do intelecto atualmente reinante, por estar, devido a isso, demasiadamente restrito e atado ao que é exclusivamente de matéria grosseira, ao passo que o princípio da Criação se encontra infinitamente distante acima da matéria grosseira, como pertencendo a uma espécie completamente diferente.

O ser humano em seu estado atual não teria, devido a isso, nem sequer a probabilidade de apenas um pressentir disso, mesmo que interiormente fosse capacitado para isso. Mas isso ele também não é. O espírito humano de modo algum pode perscrutar acontecimentos em tal altura, porque se situam muito acima do ponto, onde o espírito humano pode “saber” algo, portanto, onde é capaz de receber algo conscientemente!

De um querer perscrutar, portanto, nunca se pode falar nesse caso. Por esse motivo, também não há razão de o ser humano querer se ocupar com isso. Pode somente receber em imagens, tão logo estiver disposto a receber com verdadeira humildade um saber a respeito disso. No entanto, “saber a respeito disso” não constitui, naturalmente, o próprio saber, que ele nunca poderá obter.

Se quiser, portanto, no anseio sincero, porém humilde, saber algo a respeito, então ele poderá imaginá-lo figuradamente. Quero descrever-lhe o acontecimento, tal como ele é capaz de recebê-lo. Para desenrolá-lo em toda sua grandeza diante do espírito humano, para fazê-lo surgir, mesmo que apenas figuradamente, para isso não são suficientes aquelas maneiras de se exprimir, que foram dadas ao espírito humano para compreender. —

Já expliquei na minha dissertação “A vida” como, em virtude do ato da vontade de Deus, que está colocado nas palavras “Faça-se a Luz!”, as irradiações se projetaram para além do limite do divino, e, depois, em direção para baixo, resfriando sempre mais, tiveram de atuar, com o que, na energia ou na pressão cada vez menor devido ao resfriamento, diversas entealidades pouco a pouco puderam chegar à consciência própria, primeiramente na intuição, e depois, também pouco a pouco, fortalecendo-se na atuação para fora. Mas digo melhor que a pressão não diminui pelo resfriamento, mas, sim, que o resfriamento ocorre devido à e na pressão, que diminui.

Que, nisso, cada acontecimento isolado, cada modificação mínima no resfriamento abrange então vastidões e distâncias imensas, que ao espírito humano, por sua vez, não podem se tornar compreensíveis e entendíveis, não preciso mencionar aqui de maneira especial.

Contentei-me, naquela dissertação, em dizer simplesmente que as irradiações, devido ao ato de vontade, foram impulsionadas para além do limite do divino. Sobre o próprio ato de vontade, eu não falei, ali, pormenorizadamente.

Hoje quero prosseguir com isso e explicar por que as irradiações tinham de transpor o limite da região divina; pois no desenvolvimento da Criação tudo ocorre apenas porque não pode ser de outra forma, portanto, incondicionalmente de acordo com a lei. —

O Santo Graal foi desde a eternidade o pólo final da irradiação imediata de Deus. Um recipiente, no qual a irradiação se concentrava como sendo o último, extremo ponto, para, refluindo, tornar-se sempre outra vez nova. Em volta dele, os portais para fora firmemente fechados, ficava o divino Burgo do Graal, de maneira que nada podia passar para fora e não era dada qualquer outra possibilidade de novo resfriamento. Tudo foi cuidado e guardado pelos “anciãos”, isto é, pelos eternamente imutáveis, que podem levar uma existência consciente no extremo limite da região de irradiação divina. —

Agora o ser humano tem que refletir, antes de tudo, que, no plano divino, vontade e ação são sempre uma só coisa, se é que deseja seguir-me direito em minha descrição. A cada palavra segue-se imediatamente a ação, ou, mais precisamente, cada palavra em si já é a própria ação, porque a palavra divina possui força criadora, portanto, forma-se imediatamente em ação. Assim também na grande sentença: “Faça-se a Luz!”

Luz é somente o próprio Deus! E da Sua irradiação natural resulta o círculo da região divina, imensurável para o sentido humano, cuja ancoragem extrema é e foi desde toda a eternidade o Burgo do Graal. Se Deus então queria que além do limite da irradiação imediata divina também se fizesse Luz, então não podia tratar-se aí de uma simples expansão arbitrária de irradiações, mas tinha que ser colocada Luz no ponto extremo do limite da irradiação imediata da perfeição divina, a fim de, a partir de lá, perpassar irradiando o que até então não tinha sido iluminado.

Por conseguinte, Deus não apenas pronunciou as palavras “Faça-se a Luz!” segundo as noções humanas, mas isso foi simultaneamente um acontecimento da ação! Foi o grandioso acontecimento do envio ou do nascimento para fora dos limites do divino de uma parte de Imanuel! O colocar para fora de uma parte de Luz da Luz primordial, a fim de que iluminasse e aclarasse de forma autônoma além da irradiação imediata de Deus. O começo da grande gênese da Criação não foi outra coisa senão o simultâneo início da conseqüência do envio de Imanuel.

Imanuel é, portanto, a origem e o pólo de partida da Criação, devido ao seu envio da própria Luz viva. Ele é a Vontade de Deus que traz em si de maneira viva a sentença “Faça-se a Luz!”, que ele mesmo é. A Vontade de Deus, a Cruz viva da Criação, em torno da qual a Criação pôde, teve que se formar. Por isso, ele também é a Verdade, assim como a lei da Criação, que através dele, a partir dele pôde se formar!

Ele é a ponte saindo do divino, o caminho para a Verdade e a vida, a fonte criadora e a força, que advém de Deus. —

É um quadro novo, que se desenrola aí diante da humanidade, e que, no entanto, não muda nada, mas apenas endireita o que está deslocado nas concepções humanas.

Resta-vos agora ainda a pergunta sobre o “por quê!” Por que Deus procedeu ao envio de Imanuel! Se bem que esta pergunta, formulada pelo espírito humano, seja também bastante esquisita, sim, até arrogante, mesmo assim quero explicá-la a vós, porque tantos seres humanos terrenos se sentem como vítimas desta Criação, na ilusão de que Deus os criou defeituosos, se eles podem cometer erros. A arrogância nisso até vai tão longe, que fazem disso uma crítica com a própria desculpa de que Deus apenas podia ter criado o ser humano de tal forma, que nunca pudesse pensar nem agir erradamente, com isso também teria sido evitada a queda da humanidade. Mas unicamente a livre capacidade de decisão do espírito humano provocou a sua decadência e queda! Tivesse ele observado e obedecido sempre as leis na Criação, então poderia existir para ele somente ascensão, felicidade e paz; pois assim o querem essas leis. Com a não observância, naturalmente, ele se choca com elas, tropeça e cai. —

Na esfera da perfeição divina, unicamente o divino pode usufruir as alegrias da existência consciente, as quais a irradiação de Deus doa. É o mais puro do puro na irradiação, que pode se formar, como, por exemplo, os arcanjos, em distância maior, no extremo limite do âmbito de irradiação, então também os anciãos, os quais são ao mesmo tempo os guardiões do Graal no Burgo do Graal, dentro da esfera divina.

Com isso é extraído o mais vigoroso e mais forte da irradiação! Do restante formam-se então, no divino, animais, paisagens e construções. Com isso, a espécie dos últimos resíduos modifica-se cada vez mais, porém, está sujeita à mais alta tensão na imensa pressão decorrente da proximidade de Deus, apesar de que também aqui a distância de Deus ainda tenha que permanecer incomensurável e incompreensível para o espírito humano.

Nesses últimos resíduos então, que, como ramificações e sobras esgotadas das irradiações, não são mais capazes de produzir formas no divino e apenas passam e flutuam como nuvenzinhas luminosas em seus limites extremos, está contido também o espiritual. Não pode desenvolver-se sob a alta pressão e nem chegar à consciência. O forte impulso para isso, porém, encontra-se em todo o espiritual, e é este impulso, que se eleva como uma grande súplica da flutuação constante, a qual, no limite, não pode chegar a tecer nem a formar.

E, por sua vez, foi essa súplica no impulso inconsciente, à qual Deus cedeu em Seu grande amor, que Ele deixou tornar-se realização; pois somente fora dos limites de todo o divino podia o espiritual, seguindo seu impulso, desabrochar, para, em parte consciente, usufruir as bênçãos das irradiações divinas, viver cheio de alegria dentro delas, edificando, construir para si próprio um reino, que, florescendo e em harmonia, pudesse tornar-se um monumento em honra de Deus, como agradecimento à Sua bondade por haver concedido ensejo a todo o espiritual para o mais livre desenvolvimento e, com isso, para a formação de todos os desejos!

Segundo a espécie e as leis das irradiações de Deus, tinha que surgir apenas felicidade e alegria para todos quantos se tornassem conscientes. Nem podia ser de maneira diferente, já que para a própria Luz as trevas são completamente estranhas e incompreensíveis.

Assim, o grande ato foi um sacrifício de amor de Deus, que separou uma parte de Imanuel e a enviou para fora, somente para conceder ao impulso constantemente suplicante do espiritual uma fruição consciente da existência.

Para chegar a tanto, o espiritual tinha que ultrapassar os limites da região divina. Para um tal acontecimento, porém, somente uma parte da Luz viva podia abrir o caminho, porque a atração da Luz original é tão forte, que tudo o mais ficava retido no limite da irradiação imediata e não podia prosseguir.

Para a concessão da realização do impulso de todo o espiritual havia, portanto, apenas uma possibilidade: o envio de uma parte da própria Luz! Somente dentro da força desta podia o espiritual, utilizando o caminho da irradiação da parte da Luz como ponte, atravessar o limite para o tornar-se autoconsciente.

Mas também com isso ainda não foi feito o suficiente, porque também esta pequena parte da própria Luz seria atraída de volta pela Luz primordial de acordo com a lei. Em virtude disso, a parte da Luz ainda tinha que ser ancorada fora dos limites da região divina, senão o espiritual ali localizado teria ficado como que perdido.

Tendo uma vez o espiritual transposto o limite da irradiação imediata de Deus, o que só pôde acontecer com a ajuda de uma parte da Luz, então, no resfriamento resultante devido ao afastamento cada vez maior e ao tornar-se parcialmente consciente, não estava mais sujeito a essa força de atração original, porque no resfriamento surgiu uma outra espécie e com isso um abismo separador. Somente a parte da Luz, como sendo de espécie igual à da Luz primordial, permaneceu sempre ligada com esta e também submetida diretamente à sua lei de atração.

Assim, teria sido a conseqüência infalível, que essa parte enviada da Luz fosse atraída novamente para a Luz primordial, o que tinha que ocasionar uma constante repetição do envio e, com isso, interrupções correspondentes do ato de graça. Isso devia ser evitado, porque em um retornar da parte da Luz através do limite para a região divina, em direção à Luz primordial, o espiritual fora do limite teria ficado imediatamente entregue a si próprio e, com isso, sem apoio, sem aprovisionamento de força, também incapaz de continuar a existir. Isso teria significado o perecimento de tudo o que se encontrasse fora da região divina.

Por esse motivo, pois, a Luz primordial, Deus, ligou a parte de Imanuel por Ele enviada com uma parte do mais puro extrato de todo o espiritual, com o que se deu uma ancoragem da parte da Luz com todo o existente fora do limite. Isso foi um sacrifício de amor de Deus em prol do espiritual, que com isso pôde chegar à consciência e permanecer nela.

O espiritual e tudo, quanto surgiu dele, tinha, com isso, encontrado fora do limite do divino um apoio e uma eterna fonte de vida, da qual ele pôde desenvolver-se continuamente. Ao mesmo tempo estava lançada com isso a ponte do plano divino, semelhante a uma ponte levadiça abaixada, de maneira que o espiritual constantemente podia renovar-se e expandir-se.

Assim Imanuel, como “Faça-se a Luz”, tornou-se para a Criação o ponto de partida e constante corrente de vida, o núcleo, em cuja volta toda a Criação pôde formar-se.

Primeiro a região do puro espiritual como Criação básica, para a qual Imanuel formou diretamente a ponte. Com isso, ele se tornou o Filho extragênito de Deus, em cuja irradiação pôde surgir o mundo puro-espiritual para se tornar autoconsciente. Portanto, o Filho, em cuja irradiação se desenvolveu a humanidade da Criação primordial, de onde tem origem a denominação “O Filho do Homem”. Aquele Filho que, em lugar de Deus, encontra-se imediatamente acima dos espíritos humanos, porque esses somente através dele puderam se desenvolver para chegar à consciência.

Por ocasião do mistério da separação e do envio de uma parte de Imanuel, esta permaneceu no Burgo do Graal da região divina, por efeito da lei, de acordo com sua origem como Rei do Santo Graal, abriu o portal para fora e estabeleceu dessa forma a ponte para a passagem do espiritual. Ele, pessoalmente, não se encontrava junto fora do limite. Somente as suas irradiações partiram desse limite para o espaço até então ainda sem Luz.

Então, mais tarde, devido à ligação com o puro-espiritual, na época, em que este se tornou consciente, surgiu, no próprio puro-espiritual, Parsival, como vindo de Imanuel, estando ligado permanentemente com Imanuel através de um laço, dito ainda mais exatamente, através de uma irradiação indestrutível. Dessa maneira pode o ser humano imaginar essa união. São dois e, contudo, na atuação um só! Imanuel, na parte divina do Burgo do Graal, no mais extremo limite da região divina, encontrando-se ainda dentro desta e formando apenas a ponte, que por ele, sim, nele mesmo, é mantida aberta para o puro-espiritual, e Parsival, na parte puro-espiritual do Burgo do Graal, que se originou com o tornar-se consciente do espiritual e com o concomitante formar-se de todas as paisagens e construções. Ambas as pessoas inseparavelmente ligadas uma à outra e atuando como uma só, sendo, com isso, também uma só!

Assim aconteceu que o ser humano pode e deve imaginar Parsival, a parte de Imanuel no puro-espiritual, nascida como criança e desenvolvendo-se, porque essa parte pertence à Criação, na qual a forma das leis divinas já sofreu uma modificação no primeiro esfriamento, que condiciona o tempo de criança e de desenvolvimento, ainda que em outro sentido do que aqui. O próprio nascimento é, lá no alto, também de outra espécie do que na matéria grosseira aqui na Terra, onde, entrementes, devido à passagem pelas diferentes regiões que levam para baixo, as formas das leis também sofrem sempre novas modificações nos novos esfriamentos e no sempre repetido ficar para trás de determinadas espécies.

Parsival encontra-se ligado por uma faixa de irradiação com Imanuel, simultaneamente também por uma faixa de irradiação com Elisabeth, a rainha da feminilidade no divino como mãe, e forma assim através da ligação das irradiações a eterna ancoragem.

A Criação posterior, pois, pôde surgir da atuação dos seres humanos puro-espirituais, dos primordialmente criados. O acontecimento é, descendo, sempre uma contínua, mesmo que enfraquecida repetição da Criação primordial, que se realiza conforme as leis correspondentes, pelo que, com a respectiva transformação das leis, naturalmente se modifica correspondentemente também a espécie do acontecimento.

Para a Criação posterior não existia mais nenhuma ligação direta com Imanuel, uma vez que esta, apenas como seqüência da Criação primordial, desenvolveu-se da vontade dos seres humanos puro-espirituais. Esse acontecimento, porém, baseou-se igualmente apenas no amor ao espiritual mais baixo, o qual, permanecendo inconsciente no reino do puro espiritual, desenvolveu o mesmo impulso para o tornar-se consciente, como antes o puro espiritual na região divina. Só que a força do espiritual não era suficiente para, na Criação posterior, formar-se diretamente e tornar-se imediatamente consciente, como o conseguiu o puro espiritual mais poderoso.

Na Criação posterior, o último sedimento do espiritual tinha primeiramente que se desenvolver vagarosamente sob a influência dos primordialmente criados puro-espirituais, por não ser tão rico de conteúdo como o puro espiritual.

Já que a Criação posterior havia sido obscurecida pelos seres humanos, que se desenvolviam vagarosamente, e pela sua queda decorrente do cultivo unilateral do intelecto, foi necessário intervir. A fim de corrigir outra vez, auxiliadoramente, todos os erros praticados pela humanidade, Parsival foi ligado com a matéria grosseira em Abdrushin. Abdrushin foi, portanto, Parsival e, por isso, também Imanuel, devido à continuada ligação da irradiação imediata, cuja realização exigiu grandes preparativos e esforços. Devido à existência dele na Terra pôde ser dada à Criação posterior novamente força de Luz correspondente, para esclarecimento, fortalecimento e auxílio a todo o espiritual e, através deste, prosseguindo, para toda a Criação posterior.

A humanidade da Criação posterior, porém, opôs-se obstinadamente e não a aceitou em sua presunção, porque ela não se importava com as leis da Criação e quis ficar com suas asserções auto-estabelecidas. Também à missão do Filho de Deus não deu atenção, que devia trazer-lhe ajuda antes do Juízo universal.

O Juízo universal em si é um acontecimento natural e a conseqüência do estabelecimento de uma linha reta com a Luz, o que fora realizado com a peregrinação de Parsival através das partes do Universo.

A Terra foi para esse caminho o ponto de transição como limite extremo na matéria grosseira, porque ela, através da espécie espiritual de poucos seres humanos, ainda ofereceu um ancoradouro para isso e, por essa razão, como último planeta, ainda pode ser salva, muito embora já pertença ao reino das trevas. Aquilo, que se situa ainda mais baixo do que a Terra, portanto ainda mais envolto pelas trevas, será abandonado à decomposição, à qual devem ser entregues todas as trevas com tudo aquilo, que elas mantêm agarrado.

A Terra tornou-se, por conseguinte, o último baluarte da Luz em terreno hostil à Luz. Por isso, agora aqui também está ancorado o ponto final da Luz. Quanto mais se esticar dia a dia agora a linha direta da trindade da atuação da Luz: Imanuel – Parsival – Abdrushin, tanto mais perceptível e visível tornar-se-á o efeito da força na Vontade divina, a qual estabelece a ordem e endireita novamente à força tudo, o que a humanidade torceu, isto é, até onde ainda se deixa endireitar. Aquilo, que não se deixa endireitar, terá de quebrar. Um meio termo, a força da Luz jamais admite.

Somente no reto estender dessa linha da Luz estremecerá o mundo com a força divina, reconhecerá a humanidade então Imanuel em Abdrushin!

Assim é a evolução em toda simplicidade. Por amor foi satisfeito a todas as criaturas o anseio para o vivenciar consciente, que nelas impulsionava! Por amor àquelas, porém, que querem ter felicidade e paz na observância das leis naturais desta Criação, será agora também aniquilado tudo, que nisso perturba a paz, por ter se mostrado indigno de poder ser autoconsciente. Nisso reside o Juízo Universal, temido com razão! A grande Transição Universal!

O espírito humano não tem nenhum direito à pergunta sobre o “porquê” da Criação; pois isso é uma exigência dirigida a Deus, que ele não tem o direito de fazer, porque ele próprio se fechou, com o pecado original voluntário, a toda a sabedoria e à possibilidade de reconhecimentos mais elevados!

Eu dei, porém, explicação, a fim de combater as absurdas imaginações dos seres humanos de intelecto, para que os espíritos humanos, que anseiam sinceramente pela Verdade e estejam dispostos a recebê-la com humildade, não se deixem desviar por tão criminosa e blasfemadora presunção no momento de todas as decisões finais para o ser ou não ser de cada criatura! —

Àquele, que realmente procura, este saber a respeito disso agora muito dará; pois vós todos não podeis viver de outra maneira do que na lei! Na lei viva!

Se vós sois capazes de assimilar isso, é assunto vosso; pois nisso eu também não posso ajudar-vos. A humanidade perguntou, pediu, e eu respondi, sobre coisas, que estão muito além da capacidade de compreensão de um espírito humano, que se realizam em distâncias imensas dele, rolando em órbitas férreas de justiça divina e de perfeição divina. Em humildade incline-se a criatura humana!

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